Raio-x nacional: Setor de bebidas com galpão de lona (atualizado 2020)

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em 2017, divulgou os panoramas setoriais para diversos segmentos da economia brasileira, considerando os anos de 2020 a 2030.

Galpão de lona

O relatório divulgou que o setor de bebidas apresentou bom desempenho, devido às transformações socioeconômicas ocorridas no Brasil, antes da última crise econômica.

O setor aproveitou-se do crescimento econômico brasileiro ocorrido até 2014, que permitiu maior distribuição de renda e a emergência da chamada nova classe média. Com isso, desenvolveu produtos de maior qualidade, focando em segmentos específicos de consumidores.

Conforme a publicação do BNDES, as empresas de bebidas investiram, até 2014, em capacidade de produção, ganharam em produtividade e ampliaram a variedade de produtos ofertados. A consequência destas ações foi o crescimento do setor, nesta época, em proporção maior que a do Produto interno Bruto (PIB).

Estes resultados foram tão favoráveis que, em 2015 e 2016, a produção física do setor entrou em declínio, juntamente com a grande recessão brasileira. Contudo, as empresas líderes continuaram sustentando os efeitos positivos outrora obtidos.

Infelizmente, a pandemia do novo coronavírus trouxe uma nova crise em nível mundial e o Brasil não ficou de fora. As medidas de isolamento social foram implementadas e muitos setores da economia recuaram em suas produções. Isto também ocorreu com o setor de bebidas.

Porém, com o passar dos meses, a disseminação do vírus foi controlada e a partir de agosto, as atividades foram, gradativamente, retomadas.

As notícias recentes são mais positivas. Em 5 de setembro, a imprensa divulgou que o Brasil apresentava, pela primeira vez, queda na média móvel de mortes por Covid-19. Neste dia, de acordo com dados do consórcio de imprensa, na variação de 14 dias, o país apresentou 17% de redução no número médio de mortos pela doença, com média móvel de 819 mortes por dia, na semana anterior.

Estes dados incentivam para que os negócios sejam efetivamente reativados, os empregos reassumidos e as projeções de consumo pré pandemia confirmadas e ampliadas, buscando recuperar o que foi perdido durante a paralisação imposta pelo vírus. E a indústria de bebidas está trabalhando arduamente e já tem planos para recuperar-se e voltar com força total.

A caracterização do setor de bebidas no Brasil

Quando se fala no setor de bebidas, a ideia é a de que seus vetores de dinamismo seguem além das variáveis mais tradicionais, passando por segmentações de alto valor agregado. O resultado disso é o que se chama de “economia da experiência”.

O conceito de “economia da experiência” foi apresentado em 1998, num artigo da Harvard Business Review, de Joseph Pine II e James Gilmore. Eles mostram que a “economia da experiência” vem depois das economias agrária, industrial e de serviços. E que, na atualidade, o tipo de exigência dos consumidores está ligado às experiências que as marcas lhes oferecem. Desta forma, a experiência passa a ser o que move a economia.

Dentro da divisão 11, da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (Cnae) 2.9 (fabricação de bebidas), de acordo com a Pesquisa Industrial Anual Produto (PIA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2018, a fabricação de malte, cervejas e chopes e de refrigerantes e de outras bebidas não alcoólicas representam 90% do valor da produção e do valor total das vendas de bebidas no Brasil. As outras classificações incluem fabricação de aguardentes e outras bebidas destiladas, de vinho e de águas envasadas.

Assim, economicamente falando, o setor de bebidas, no Brasil, é representado basicamente por cerveja e seus derivados e por refrigerantes e bebidas não alcoólicas.

A Euromonitor International, empresa de pesquisa de mercado, utiliza a seguinte classificação para os produtos da indústria de bebidas não alcoólicas: água engarrafada; refrigerantes; concentrados; sucos; chá pronto para beber; café pronto para beber; bebidas esportivas e energéticas; bebidas especiais asiáticas.

Conforme o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que regula, inspeciona e fiscaliza os estabelecimentos produtores de bebidas em território nacional, o ano de 2019 terminou com a consolidação do crescimento do mercado de cervejas, com mais de 1.000 estabelecimentos legalmente instalados. O Brasil é o terceiro maior fabricante mundial deste produto, sendo que a China e os Estados Unidos, são primeiro e segundo lugar, respectivamente.

A participação do setor de bebidas na economia do Brasil

O Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (SINDICERV) divulgou que a indústria gerou R$ 77 bilhões em faturamento no ano de 2019, equivalente a 2% do PIB e 14% da indústria de transformação nacionais. O consumo foi de 13 bilhões de litros por ano.

A média de investimento das empresas, na cadeia produtiva, a fim de aumentar sua capacidade é de R$ 4 bilhões por ano.

Conforme dados da Euromonitor International, o Brasil constituiu, em 2017, o sétimo maior mercado de bebidas não alcoólicas do mundo. Foram consumidos, no varejo, em torno de 21 milhões de litros. As previsões apontam para que ocorra um crescimento do setor de bebidas não alcoólicas, em torno de 3,5%, ao ano, até 2022.

O mercado brasileiro possui aproximadamente, 1,2 milhão de pontos de venda de bebidas alcoólicas e não alcoólicas.

A Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) divulgou que, de acordo com a Pesquisa Industrial Mensal (PIM), do IBGE, a produção nacional de bebidas aumentou 65,6% no mês de maio de 2020, em relação a abril, compensando a queda de 26,3% acumulada em março e abril. Este resultado não reverteu a queda causada pela pandemia do novo coronavírus, mas corrobora a ideia de que está havendo a recuperação econômica do setor.

Uma das justificativas para este acontecimento é o dinamismo do setor, que adaptou os formatos de produção e de vendas de suas plantas industriais para atender às mudanças do cenário.

Em uma participação ao Food Connection, programa para a cadeia de alimentos e bebidas, em 25 de junho de 2020, João Sattamini, fundador e CEO da BrasilBev, empresa que detém a marca de sucos e energéticos orgânicos Organique Energy, pioneira no país, atestou que o momento foi desafiador. Porém, conseguiu superá-lo com algumas estratégias, como vendas diretas para o consumidor final e online e para supermercados. Além disso, a empresa lançou novidades, como por exemplo, uma nova linha, para família, em embalagem tetrapack e embalagens take-away de 350 ml e 269 ml, para os energéticos.

Quer se manter atualizado? Assine nossa Newsletter!

Cadastre-se para receber os nossos conteúdos, novidades e dados do mercado atualizados em seu e-mail :)

Email registrado com sucesso
Opa! E-mail inválido, verifique se o e-mail está correto.